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Karoline, ex-ajudante de classe e quiromante nas horas vagas. Ex-usuária de botinhas ortopédicas, aparelho de dente e de coluna. Tem uma sobrancelha diferente da outra. Descobriu recentemente os prazeres de um bom cappucino. Sempre diz que essa é a última vez que vai beber. Adora fotos dela mesma (só ainda não encontrou alguém que batesse uma decente). Tinha medo quando via a avó dormindo. Jornalista batendo de frente com o tal de mestrado. Quer voltar para o balé. Sonha em conhecer o mundo, mas Pequeno Príncipe não é seu livro preferido nem seu maior sonho é a paz mundial. Às vezes se sente uma pintura cubista. Quando criança, era capaz de chamar o vento. Fugia de casa pra brincar em balança de farmácia. Adora vinhos, doces, massas, frango assado, farofa, feijoada e sushi. Deixou de ser freira porque achava que elas não podiam comer picolé. Fala demais e tem a impressão que tem mais braços e pernas do que aparenta. Tem um cabelo mais temperamental que a personalidade. Quer homens agrestes para passar no corpo (segundo definição de Kelly Cristina Viana). E tem pernas escandalosamente lindas (mas meu namorado mandou dizer que já tem dono). De resto, under construction.

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Terça-feira, Outubro 10, 2006

Dia de Domingo

Domingo, dia de sol. As boas famílias da cidade se preparam para ir ao clube. Cidade pequena, sabe como é. Maiôs, fofoca, cerveja, bronzeador, batata frita, crianças de lábios roxos e barriga cheia de tanto beber água da piscina. O dia, como sempre, nada prometia (ou você espera alguma coisa de um domingo?).

Do outro lado do rio, o rapaz também se dirigia ao clube. Mas não iria entrar. Não podia. Subiu o declive de terra que levava até os fundos do clube. Havia um espaço que as plantas não cobriam e um buraco nas grades. Dois dias antes, o rapaz cavou um buraco perto daquela parte do gradil, o suficiente para encaixar parte do corpo. Ficou à espera.

Nos fundos do clube, três chuveiros e algumas cadeiras de praia. Era ali que as mulheres iam se bronzear. Algumas se deitavam nas cadeiras, outras já ficavam de bruços nas toalhas. Passavam óleo de amêndoas umas nas outras. Lindo. Havia umas feias, pelancudas, é verdade. Mas ele só tinha olhos para as mocinhas. Magrinhas, peles brilhantes, sorriam macio enquanto conversavam.

Dali o rapaz podia sentir o cheiro delas. Ou pensava que podia, sei lá. Só sabia que era diferente. Diferente do cheiro da casa, da mãe, das irmãs. Diferente até do cheiro da Chica Fulepão, aquele perfume enjoativo que se misturava ao esgoto da rua.
Então algo no meio dele começou a despertar.

Uma menina de nove anos percebeu que algo estranho se mexia no meio do mato, sem parar. Como ninguém prestasse atenção, foi se aproximando para ver o que era.

─ Puta que pariu! ─ pensou ele. Mas não conseguiu parar. Fechava os olhos e aquele cheiro invadia-lhe as narinas. Tão lindas, tão...hum...macias...ai, só um pouco, só mais um...

A menina começou a ouvir gemidos. Baixinhos. Então ela se agachou e colocou a cabeça para ver. E dois olhares assustados se encontraram.

─ Clarinha, o que você tá fazendo aí? ─ disse à mãe ao ver a menina ajoelhada, limpando algo do rosto.

Antes que a mãe se levantasse, a menina saiu correndo. O vento batia e deixava seu rosto mais preguento ainda. Parou no banheiro feminino e se trancou no box. Não chorava, não estava com medo. Apenas lembrava sem parar daqueles olhos. Derramando lágrimas.

Enfim afastou aqueles pensamentos e ligou o chuveiro. Amadurecia.



escrito por karoline | 11:42 AM |

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