<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472</id><updated>2011-04-21T16:09:35.496-03:00</updated><title type='text'>cinemascope</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-5210959523616594136</id><published>2008-11-23T09:57:00.003-03:00</published><updated>2008-11-23T11:05:26.573-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ao Meu Avô ou O Perdão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças costumam ver em qualquer pessoa de cabelos brancos e ternura nos olhos um avô ou avó. E como os pais de meu pai moravam longe e o pai de minha mãe morrera antes de eu nascer, o tio de minha mãe cumpriu essa função. Foi-me, por toda a vida, o vovô Isaías. Como ele morava no Ipu e nós, em Sobral, acordava-se muito cedo para pegá-lo em casa antes da missa. Lembro-me que era um homem alto, de olhos azuis e um porte que o fazia elegante até mesmo nos pijamas que usava em casa (na casa de Sobral creio que ainda há um desses pijamas, de tecido simples mas muito macio, assim como eu lembro que ele era). Mas o que mais me impressionava era vê-lo usar a lupa para ler livros, documentos e jornais. Achava lindo quando ele usava para ler, parecia muito austero, coisa de quem precisava conhecer a fundo o que lia. Muitas vezes eu a roubei para brincar de detetive pela casa e ver as coisas pequenas se agigantarem na lente, mas se percebeu nunca brigou comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto se esperava que ele voltasse da missa, eu ficava a voltear pela casa, daquelas casas antigas em que não se fazia forro para correr o vento e amainar o calor. Ficava a analisar os desenhos do piso, os retratos antigos na parede, o guarda-roupa grande de madeira bem escura, o mosqueteiro branco por cima da cama, o relógio de pêndulo e a linda mesa de jantar em mogno - que hoje tenho em minha casa e espero nunca ter que me desfazer dela por contenção de espaço. Felizmente ela é retrátil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais estranhei o fato de que eu e meus irmãos o chamávamos de avô, enquanto mãezinha o chamava de tio. Não era de se derramar em sentimentalismos, mas sei que ficava feliz quando nos via. Tinha aquele abraço bom, ancestral, de fazer a gente sentir que nada de mal poderia nos ocorrer enquanto estivéssemos ali. E toda vez que me via me chamava de cabocla. Era a única vez que lhe tinha raiva, pois achava cabocla uma palavra feia. Um dia meu pai o fez notar minha chateação e ele me disse: "Oh, minha filha, mas cabocla é moça bonita do sertão!". E a partir de então me recitava versos, do qual infelizmente só lembro mal e parcamente deste trechinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabocla, linda do arraial&lt;br /&gt;Vinha lá, lá de longe&lt;br /&gt;Dos recantos de Sobral&lt;br /&gt;Cabocla linda do meu querer&lt;br /&gt;Tu és, amor, tão linda&lt;br /&gt;Quanto a flor do muçambê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engraçado é que minha mãe diz que ele era diferente quando era mais novo. Mais sério, mais severo, daqueles adultos que inspiram medo. Por mais que tentasse, jamais conseguiria vê-lo assim. Mesmo menina e sem entendimento, eu sentia que naquela fala dela ainda havia um pouco de mágoa. Depois de alguns anos, isso me fez ver que é preciso tempo para dissolver os cantos mais duros e que a velhice pode nos trazer um apaziguamento até de nós mesmos. O que quer que tivesse se passado em sua vida já não existia mais, e ele podia ser só o nosso avô de cabelo branco e voz rouca, cheirando a sabonete Senador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num desses dias em que fomos à sua casa, chegamos bem cedo, ele ainda estava no quarto. Consegui me embiocar num dos quartos para ver ele colocando o paletó de ver a Deus. Enquanto ele punha o chapéu, minha mãe veio por trás e o surpreendeu com um abraço. "Oh, Zoraida!", foi tudo o que ele disse. E os dois se olharam e trocaram algumas palavras que eu não consegui entender, mas eles pareciam tão felizes como aqueles que conseguem descansar os corpos de uma carga deveras pesada. Aquilo me marcou fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a primeira vez que eu via o perdão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-5210959523616594136?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/5210959523616594136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=5210959523616594136' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/5210959523616594136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/5210959523616594136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2008/11/ao-meu-av-ou-o-perdo-as-crianas.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-439769349888304194</id><published>2008-11-22T18:31:00.002-03:00</published><updated>2008-11-22T19:00:14.865-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Once Upon a Summertime&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei. De coisas que tomaram um tempo necessário trazendo grandes compensações. De altos e baixos que ainda estou a definir o destino. Mas com uma saudade enorme de escrever para mim e para este blog (só espero que as moscas não tenham enjoado da visão de Dietrich e escolhido outra atriz alemã para adorar). Confesso que nesse afastamento tem um bocado de preguiça também, mas ainda não desisti de acreditar que eu ainda tenho emenda. Antes tarde do que nunca, a gente sente aquele formigar na alma pra dizer nem que seja besteira. Estou tentando. Disse para uma pessoa que escreveu uma crônica e pediu a minha opinião que, independente de ser boa ou ruim, uma idéia só vale a pena depois que ela sai da nossa cabeça. Na vida a gente tem que dar a cara a tapa e rir pra não chorar. E mesmo que as coisas não estejam na mais absoluta (e tediosa) perfeição, sinto que a vida tem sido tão generosa e bela que nem mesmo a proximidade das festas de fim de ano vão me abalar. Sinto-me feliz em ser forte e saudável. Em poder ver meu sobrinho crescer e sentir que nossa descendência é o melhor legado que podemos dar ao mundo. Em poder comprar um livro que tanto queria com 50% de desconto. Em voltar a ouvir música, principalmente nos ônibus. Em ter escapado de roubadas envolvendo moradia. Em trabalhar com o que gosto. Em poder fazer planos para o futuro. Em mudar de vida. Em fazer anos. Enfim, estou de volta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-439769349888304194?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/439769349888304194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=439769349888304194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/439769349888304194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/439769349888304194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2008/11/once-upon-summertime-voltei.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-2270580213473367398</id><published>2007-10-28T22:18:00.000-03:00</published><updated>2007-10-28T22:21:55.358-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Não-Dito&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou silêncio&lt;br /&gt;Quero selar meus lábios entreabertos&lt;br /&gt;para não deixar entrar o mundo&lt;br /&gt;calar minha voz quase sempre em tom acima&lt;br /&gt;e fechar minhas orelhas pro zumbido&lt;br /&gt;do rumor que vem de fora&lt;br /&gt;Fora com palavras, gestos, sinais inúteis&lt;br /&gt;com todos os gêneros de falastrice&lt;br /&gt;Quero poder um instante fechar-me em mim&lt;br /&gt;abrindo mão daquilo que ensurdece&lt;br /&gt;para perceber o que realmente importa&lt;br /&gt;Deixo apenas meus olhos&lt;br /&gt;e meus poros, bem abertos&lt;br /&gt;Só assim o terei da maneira devida&lt;br /&gt;Permito somente que o vento&lt;br /&gt;e o silêncio me atravessem&lt;br /&gt;Eles que te trazem até mim sem que se perceba&lt;br /&gt;Vem, então, falar-me com teus olhos&lt;br /&gt;pois onde há silêncio não há limites&lt;br /&gt;É onde tudo pode ser dito sem nada dizer&lt;br /&gt;O silêncio é criador&lt;br /&gt;Ele dá voz e forma aos sentidos&lt;br /&gt;É onde o amor floresce&lt;br /&gt;ainda que pareça simples desconcerto&lt;br /&gt;Por isso nele posso me deixar perder&lt;br /&gt;porque sei que ali tu me encontrarás&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-2270580213473367398?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/2270580213473367398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=2270580213473367398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/2270580213473367398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/2270580213473367398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2007/10/no-dito-hoje-sou-silncio-quero-selar.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-4825450543433916821</id><published>2007-09-01T11:32:00.000-03:00</published><updated>2007-09-01T11:33:20.960-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Falta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria falar sobre o céu, com esse azul sem nuvens que os turistas acham lindo mas que eu considero doído e triste. Queria falar da lua cheia que quase me fez bater o carro várias vezes esta semana para contemplá-la — mamãe diz que nisso sou igualzinha a uma prima dela que dirigia olhando pra a rua, pros outros carros, pra dentro de si... pra tudo, menos pra FRENTE. Mas sabe que nem acho a comparação ruim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria partilhar minha indignação com a política grotesca e burra que rege desde o Senado até certas relações pessoais. Queria amainar essa minha preguiça ontológica. Queria viajar para São Paulo. Queria ser mais decidida para saber se faço relaxamento de novo no cabelo e se compro um sapato novo para o casamento da Paula Virgínia. Queria ler os livros que comprei sem sentir sono. Queria lembrar dos sonhos que tive na noite anterior. Queria saber fazer orçamento, corte e costura e as declinações do alemão. Queria parar de comer tanto doce e pão — mas logo agora que eu descobri o prazer de um ciabatta... hum, posso deixar pra depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que houvesse lugares em Fortaleza para patinar e andar de bicicleta. Queria rever as pessoas de que tenho saudade. Queria nunca perder o homem que eu amo. Queria ter um gato. Queria comprar pilhas recarregáveis para voltar a fotografar. Queria dizer ao meu sobrinho que tudo vai dar certo. Queria que os livros que pedi chegassem logo. Queria tomar banho de mar e comer caranguejo. Queria sentir frio. Queria que chovesse. Queria que não houvesse passarinhos em gaiolas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria lembrar como era ser criança. Queria saber envelhecer. Queria não ter medo de morrer. Queria escrever um livro. Queria saber quando vai chegar a hora. Queria não ser piegas e não usar essa forma de texto tão batida. Queria dizer aos meus irmãos que os amo profundamente ainda que sejamos de barros diferentes. Queria que meus amigos nunca esquecessem de quanto sou grata pela vida ter-nos colocado no mesmo caminho. Queria morrer sabendo que iria me transformar em amor, vento e terra molhada. Queria saber me abandonar nas mãos de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria a minha mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-4825450543433916821?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/4825450543433916821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=4825450543433916821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/4825450543433916821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/4825450543433916821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2007/09/falta-queria-falar-sobre-o-cu-com-esse.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-5237316068260183915</id><published>2007-07-15T23:51:00.000-03:00</published><updated>2007-07-15T23:59:15.647-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;A Primeira Briga&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ahref="http://4.bp.blogspot.com/_ga3O_TYXQ14/RpreK8PEx1I/AAAAAAAAAAk/49sb4qwSDdI/s1600-h/Teia_na_chuva.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ga3O_TYXQ14/RpreK8PEx1I/AAAAAAAAAAk/49sb4qwSDdI/s320/Teia_na_chuva.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5087623008617809746" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora você está toda lépida e fagueira, olhando para a pessoa amada e se perguntando como tudo pode estar dando tão perfeitamente certo. Você se sente feliz — que nem pinto no lixo, como se dizia — só de poder olhar, abraçar, fazer carinho, essas coisas bobas e lindas que todo apaixonado faz e gosta de ter de volta. Afinal, ele te ama, você o ama, e os dois como casal são o equivalente material daquela coisa de “feitos um para o outro”. É, tudo isso é muito bom até que acontece a briga, o entrevero. E você percebe que o equilíbrio amoroso é tão instável quanto a teia de uma aranha. O coração vai ficando pequenininho na caixa do peito ao perceber que todo aquele lindo castelo que você construiu era de areia e a onda levou — pelo menos o castelinho do amor-perfeito, do mar de rosas que não existe mas que a gente sempre fica tentado pra se deixar fiar pela ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quase sempre tudo começa de uma brincadeira, das implicâncias tão comuns entre namorados. Mas aí dá na cabeça de um interpretar de outra maneira o que o outro sempre faz ou achar que ele está passando do limite. Só que ao invés desse um — digamos a verdade, dessa uma, que mulher é quase sempre quem começa mesmo —, ao invés dela simplesmente dizer que não gostou, vai fazendo uma cena e começa a tomar os seus exageros, querendo fazer de sereno tempestade. E o outro naturalmente não vai gostar nada disso. Só depois de muito tempo é que ela se toca de que ele ficou magoado &lt;em&gt;meeesmo&lt;/em&gt;. E aí não adianta mais abraço, beijinho, desculpa, explicação. Deu-se o insucesso, a briga está armada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você resolve ir prum lado esperando que ele venha fazer alguma coisa — você nem quer mais que peça, só quer que ele dê uma deixa pra você se desculpar. Mas ele fica pro lado dele, seco, parecendo outro. Talvez queira que você faça a mesma coisa. Talvez esteja curtindo a raiva, que homem no geral é fácil de lidar mas se magoa é a coisa mais dificultosa. E o pior é que você nem pode ir embora, esperar a raiva sua e dele passar: aconteceu justo no fim-de-semana em que ele foi te buscar em casa e agora você não tem como voltar. Podia-se pegar um ônibus, um táxi ou até mesmo pedir para ele te deixar em casa (mas cadê que o orgulho deixa?). Mas mesmo magoado ele não permite — e sair escondida sem avisá-lo só iria piorar as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim vai passando o tempo: um pro lado, outro pro outro, e no meio aquele silêncio desolador. De repente ele abre a porta do quarto. Você sabe que ele está te olhando, mas prefere fingir que está lendo atentamente uma página da internet falando sobre a vida dos ornitorrincos. Passa um tempo, ele vem e faz uma pergunta burocrática. Você fala tentando colocar um pouco de doce na resposta, mas ele nem percebe. Ele sai. Fica perambulando pela casa, você naquela expectativa... aí ele volta pro quarto e fecha a porta! Você não ouve mais o barulho da televisão, o silêncio fica ainda pior. Então resolve ir quietinha até o corredor e vê que ainda tem luz pela fresta da porta: está acordado. Mas até quando? Será que ele vai vir e burocraticamente te chamar para dormir? E você vai aceitar? Ou cair no choro que está segurando há mais de meia hora? Não, não, poderia parecer um estratagema para amolecer-lhe o coração, por mais que as lágrimas fossem verdadeiras. Como eu disse, sempre há o orgulho para abastecer esse tipo de situação. E se ele não vier nunca? Se ele for dormir sem nem querer saber como você ficará? Ai, não se sabe o que é o pior. A vontade nem é mais de ir embora. É de sumir, virar fumacinha diante de toda essa indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí ele vem de novo, com aquela vozinha carinhosa que você conhece. E te abraça, faz carinho, perguntando se você não vem dormir. Você quase não acredita: não sabe se ri, se chora, se faz as duas coisas juntas. Então vocês se olham, e de uma certa maneira tomam consciência de que as coisas não podem ser mais como eram, despreocupadas. Percebem que o amor é uma coisa por demais frágil e que precisa de muito cuidado. E talvez pela primeira vez ambos sintam medo. Aquela certeza pueril de que os dois se encaixam bonitinho dá lugar ao fato de que o equilíbrio é feito com um quebrando os cantos do outro pra se encaixar minimamente. E essa quebra é sempre dolorosa. Incerta quanto aos resultados, mas necessária. Mas basta aquele olhar de reconciliação para saber que vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-5237316068260183915?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/5237316068260183915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=5237316068260183915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/5237316068260183915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/5237316068260183915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2007/07/blog-post.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ga3O_TYXQ14/RpreK8PEx1I/AAAAAAAAAAk/49sb4qwSDdI/s72-c/Teia_na_chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-1816255011541817036</id><published>2007-06-19T11:24:00.000-03:00</published><updated>2007-06-19T11:39:50.959-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Um pedaço de mim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ahref="http://2.bp.blogspot.com/_ga3O_TYXQ14/RnfoFIN4ELI/AAAAAAAAAAc/V5mjwomSAJA/s1600-h/caderno_braga.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ga3O_TYXQ14/RnfoFIN4ELI/AAAAAAAAAAc/V5mjwomSAJA/s320/caderno_braga.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5077782279686197426" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há anos eu não fazia um disparate. E nunca havia feito um virtual. Achava que era uma coisa boba, mas deu um bom trabalho pensar nas respostas, que à primeira vista parecem óbvias. Mas é preciso revolver no quarto de despejo de nossas lembranças e preferências para responder – por sinal, não sei o de vocês, mas o meu é bem bagunçado. Acabei mesclando preferências atuais com coisas bem do passado, que já não lembrava, mas que me marcaram muito. Lembrei que gostava (e ainda gosto) de histórias de detetive, mas nunca mais me havia animado a comprar e ler – mais um item para a lista de novas prioridades. E também que sei arrumar o cabelo sozinha, só faço penteado em salão se estou com preguiça ou sem tempo. Quando criança perdia o café para fazer trunfa no cabelo. E ficavam bonitas, ninguém entendia como eu conseguia prender bem sem usar mil grampos. Hoje sei que sou uma grande fã do Peter Lorre, ator alemão, um dos maiores vilões do cinema que acabei descobrindo assistindo filmes para a minha pesquisa. E que sei escolher bons lugares para comer, não só pela boa comida como por serem lugares bonitos – e isso é tudo pra mim.Também deveria ser para a maioria dos estabelecimentos sem que isso acarretasse num superinflacionamento da conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucy, você lançou o desafio e aí está. Não teria ninguém em mente para quem lançar essas perguntas neste momento, até porque sou uma blogueira iniciante e relapsa. Mas se alguém além das dez moscas fãs da Dietrich quiser responder, let me know.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Sete coisas que faço bem:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;• Macarrão a carbonara &lt;br /&gt;• Compras no supermercado (ou “fazer mercantil”, como se diz no Ceará)&lt;br /&gt;• Arrumar o cabelo&lt;br /&gt;• Fazer massagem&lt;br /&gt;• Escolher restaurantes&lt;br /&gt;• Dirigir (principalmente em estrada)&lt;br /&gt;• Conversar por hoooooras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Sete coisas que não sei fazer:&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;• Tocar piano&lt;br /&gt;• Dançar balé&lt;br /&gt;• Guardar dinheiro&lt;br /&gt;• Procurar coisas&lt;br /&gt;• Esconder sentimentos&lt;br /&gt;• Abrir garrafa de vinho&lt;br /&gt;• Comer comida natural e dizer que amei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Sete coisas que me atraem no sexo oposto: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;• Cuidado&lt;br /&gt;• Inteligêngia&lt;br /&gt;• Maldade e veneno (na medida certa)&lt;br /&gt;• Bom humor&lt;br /&gt;• Barba (também vale aquela por fazer, que arranha o rosto, hummm!)&lt;br /&gt;• Boa pegada (que ninguém tá falando aqui de amor espiritual, ora!)&lt;br /&gt;• Não ter medo de dizer que gosta de você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Sete coisas que não suporto no sexo oposto: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;• Indefinição&lt;br /&gt;• Indiferença&lt;br /&gt;• Machismo&lt;br /&gt;• Medo de sentir&lt;br /&gt;• Não saber dialogar (ou fazer isso na base do grito e da briga)&lt;br /&gt;• Ignorar o fato de que homens e mulheres são seres diferentes&lt;br /&gt;• Desmantelo (porque isso inclui os gostos musicais, literários – quando existem -, de roupas, de estilo de vida duvidosos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Sete coisas que digo com freqüência: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;• Ora, pipocas!&lt;br /&gt;• Vaaalha... (com esse jeitinho arrastado mesmo)&lt;br /&gt;• Tô com fome!&lt;br /&gt;• Vixe!&lt;br /&gt;• Tô com sono...&lt;br /&gt;• O que você trouxe pra mim?&lt;br /&gt;• Nãã...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Sete atores/atrizes que eu gosto:&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;• Marília Pêra&lt;br /&gt;• Clive Owen&lt;br /&gt;• Caio Blat&lt;br /&gt;• Alessandra Negrini&lt;br /&gt;• Raul Cortez&lt;br /&gt;• Audrey Hepburn&lt;br /&gt;• Dustin Hoffman&lt;br /&gt;• Peter Lorre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. Sete atores/atrizes que eu detesto:&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;• Sandra Bullock&lt;br /&gt;• Dolph Lundgren&lt;br /&gt;• Fernanda Lima (será que dá pra considerar atriz só porque esteve em novela?)&lt;br /&gt;• Marcos Pasquim&lt;br /&gt;• Humberto Martins&lt;br /&gt;• Samara Felippo&lt;br /&gt;• Regina (eu tenho medo!) Duarte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8. Sete filmes que eu adoro: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;• O fabuloso destino de Amélie Poulain&lt;br /&gt;• Bonequinha de Luxo&lt;br /&gt;• M, o vampiro de Düsseldorf&lt;br /&gt;• Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças&lt;br /&gt;• Houve uma vez dois verões&lt;br /&gt;• O Poderoso Chefão (I e II)&lt;br /&gt;• Lavoura Arcaica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9. Sete filmes que eu detesto: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;• Porky’s (todos)&lt;br /&gt;• Todo Mundo em Pânico (não deviam ter gasto película com isso, custa tão caro...)&lt;br /&gt;• Xuxa Gêmeas (“porque eu não sei ser vilã”)&lt;br /&gt;• High School Musical (Deus, eles não sabem o que fazem!)&lt;br /&gt;• Jogos Mortais (não dá uma completa gastura em vocês, não?)&lt;br /&gt;• Pornochanchadas (mas a palavra em si é genial, não é?)&lt;br /&gt;• Filmes com bichos humanizados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10. Sete livros favoritos: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;• Dôra, Doralina – Rachel de Queiroz&lt;br /&gt;• Elas Gostam de Apanhar – Nelson Rodrigues&lt;br /&gt;• Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres – Clarice Lispector&lt;br /&gt;• Os olhos que não queriam dormir – Maria Antônia Ramos Coutinho (foi um dos primeiros livros que li, maravilhoso)&lt;br /&gt;• Histórias de detetive em geral&lt;br /&gt;• A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera&lt;br /&gt;• O Evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11. Sete lugares favoritos: &lt;/strong&gt;• São Paulo&lt;br /&gt;• Cinema&lt;br /&gt;• Teatro&lt;br /&gt;• Lugares antigos em geral&lt;br /&gt;• Sebos&lt;br /&gt;• Serra da Meruoca e Guaramiranga&lt;br /&gt;• Restaurantes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-1816255011541817036?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/1816255011541817036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=1816255011541817036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/1816255011541817036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/1816255011541817036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2007/06/um-pedao-de-mim-h-anos-eu-no-fazia-um.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ga3O_TYXQ14/RnfoFIN4ELI/AAAAAAAAAAc/V5mjwomSAJA/s72-c/caderno_braga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-592092422291832584</id><published>2007-06-04T11:18:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T11:51:09.263-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sei lá, eu acho que... sei não!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei um bom tempo sem postar. Preguiça, falta de tempo, mas no fundo acho que era falta mesmo do que dizer. Ou talvez seja preciso fazer o que estou fazendo agora: parar de esperar pela tal de inspiração (até porque eu prefiro caras a musas inspiradoras, oras!) e colar meu traseiro flácido na cadeira para escrever alguma coisa. E por falar em flácido... consegui engordar uns seis quilos! Logo agora que eu tinha mandado apertar aquela pantalona preta linda porque ela ameaçava cair em público. Agora isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ga3O_TYXQ14/RmV4I4N4EKI/AAAAAAAAAAU/1a-0RDWMN0Q/s1600-h/gorda.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ga3O_TYXQ14/RmV4I4N4EKI/AAAAAAAAAAU/1a-0RDWMN0Q/s320/gorda.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072592649227604130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem adianta dizer que nem parece que engordei, que ter o tipo físico da modelo esquálida é só para as modelos e que eu sou alta e isso não interfere. O grande problema é que eu me SINTO gorda. Tenho aquela sensação de que tem alguma coisa sobrando em mim na barriga, na perna, na bochecha. Fora que não há nada pior do que sentir que todas as roupas te apertam e incomodam e que o dinheiro da bolsa não dá pra renovar o guarda-roupa. E se não sou do tipo que toma anfetaminas ou faz dietas malucas, também não consigo parar de comer. Mas tudo isso é minha culpa, única e exclusivamente. Não consigo resistir a uma massa, um doce, passo horas sem comer e depois caio de boca em besteira, acho que a comida natural é feita de isopor colorido, passo muito tempo sem beber água... ou seja, tudo o que anula qualquer possibilidade de emagrecimento saudável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso começou quando comecei a morar sozinha. Primeiro que, por uma medida de controle de gastos, tive que dispensar a Carmelita, minha secretária do lar (vai chamar de empregada pra ver o que acontecia!). E não é só o problema de não ter alguém pra fazer seu almoço todo dia: a Carmelita era minha grande companheira, sempre almoçávamos juntas e conversávamos. A questão é que além de perder a pessoa que fazia minhas refeições (o que me força a viver de quentinhas e self-services já que não tenho tempo, saco nem talento para cozinhar), a falta de ter alguém em casa me faz cair de boca na geladeira e passar horas em frente da televisão ou do computador. Um prato cheio, com o perdão do trocadilho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poxa, eu não queria ter cinqüenta quilos. Só queria poder me sentir leve de novo pra caber na minha querida pantalona. Também não queria uma receita pra ficar magra em uma semana. Queria ter coragem. E disciplina. Será que um dia eu consigo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-592092422291832584?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/592092422291832584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=592092422291832584' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/592092422291832584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/592092422291832584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2007/06/sei-l-eu-acho-que.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ga3O_TYXQ14/RmV4I4N4EKI/AAAAAAAAAAU/1a-0RDWMN0Q/s72-c/gorda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-117210256119300770</id><published>2007-02-21T21:00:00.000-03:00</published><updated>2007-02-21T21:02:41.213-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quando eu era menininha&lt;br /&gt;minha mãe sempre dizia&lt;br /&gt;pra não falar sozinha&lt;br /&gt;nem nunca rir do nada&lt;br /&gt;Mas o que posso fazer&lt;br /&gt;se o mundo que habita em mim&lt;br /&gt;não pára de falar comigo&lt;br /&gt;nem de me fazer graça?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-117210256119300770?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/117210256119300770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=117210256119300770' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/117210256119300770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/117210256119300770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2007/02/quando-eu-era-menininha-minha-me.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-116987298155852568</id><published>2007-01-27T01:24:00.000-03:00</published><updated>2007-01-27T01:44:44.426-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Guerras Secretas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1599/3520/1600/228912/jimJudyDarlanSyckM.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1599/3520/320/61263/jimJudyDarlanSyckM.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primo quase sempre é o primeiro homem da vida de uma mulher. Há quem diga que é o pai, mas este acaba sendo mais uma referência, um parâmetro que, para o bem ou para o mal, nos levará a escolher os homens dali em diante. O primo, não. Por mais que nunca chegue a acontecer nada entre os dois, é na relação entre primos que descobrimos o outro, no sentido mais essencial do termo. E basta uma brincadeira inocente para descobrir essa diferença. Nos primos a força se manifesta nos braços, adoram mostrar o quanto são fortes jogando a bola com toda a força e mirando bem no nosso estômago. Sentem um prazer perverso de nos fazer chorar. Mas há também os cantos sensíveis, as cócegas e as dores das quais nos aproveitamos para desvencilhar deles nas muitas disputas. E são tantas, até pela última batata frita do prato. Geralmente são impulsivos, implicantes, parecem até que não sabem o que fazer com a gente. Irritam-se principalmente porque não somos iguais a eles: “menina não sabe”, “menina não pode”, “você é menina, não entende”. Nunca acreditam quando dizemos que somos capazes de subir aquela árvore tão bem quanto eles, mas nos incentivam a provar o contrário apenas para olhar por baixo das saias. Em compensação, se acabam de vergonha quando descobrimos as revistas de mulher pelada embaixo da cama ou que tem alguma coisa se movendo por baixo da bermuda, que nem mesmo eles sabem direito o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado, por mais que tenhamos vivido tanto ou mesmo conhecido tantos homens diferentes e interessantes, as lembranças dos primos são sempre as mais ternas. Porque são as sensações primeiras, originais, inconscientes de si mesmas e, por isso, mais fortes e vívidas, mesmo quando se tornam memória. É como a primeira vez que se experimenta uma droga: é sempre para a sensação do “como se fosse a primeira vez” que se quer voltar. E o ápice desses momentos são as brigas. Só depois de muitos anos passados é que você se toca que aquela foi a primeira vez que você sentiu o peso, o calor, o contato, a força, a voz de um homem contra o seu corpo. Claro que o contexto era bem outro, e o homem no caso é um menino magricela e sem nenhum atrativo. Mas há um momento, no auge da disputa, em que os dois simplesmente param, silenciam, e a eternidade parece caber naquele conhecer-se mútuo. Você sente nele o medo, a inquietação, a ternura advinda daquele simples ato de olhá-la. É quando a menina descobre que sua verdadeira força não está em tentar ser como os meninos, e sim em outro lugar, e que isso pode ser tão devastador quanto um grupo de moleques se atracando na rua. A pressão dos braços vai afrouxando, mas o coração dele bate tão acelerado que você sente a vibração na sua pele mesmo a certa distância. E talvez seja nesse momento que ele perceba que a prima não é um menino incompleto, tanto que ele quer olhar para aquela coisa ao mesmo tempo linda e estranha. Mais de perto, mais de perto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí a gente ouve a voz da tia (que pode ser a mãe dele ou a sua) chamando à nossa procura — abençoada seja a mania das mães de sempre se fazer escutar, mesmo ao longe. Em cinco segundos os dois se levantam e cada um corre para um canto diferente, mas não sem antes uma última troca de olhares, os dois mal conseguindo se encarar sem que haja um princípio de sorriso, até que desaparecem pela casa e voltam a ser crianças. Até a próxima disputa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-116987298155852568?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/116987298155852568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=116987298155852568' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116987298155852568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116987298155852568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2007/01/guerras-secretas-o-primo-quase-sempre.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-116882972007055367</id><published>2007-01-14T23:53:00.000-03:00</published><updated>2007-01-14T23:55:20.086-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Eu não sabia o que era amar. Nunca entendi bem os poetas, os romancistas, os músicos e todos aqueles que falam de amor. Por mais que os admirasse, falar de amor sempre me pareceu uma história que não me dizia respeito. Como falar sobre o frescor da relva e o cheiro de terra molhada ao amanhecer para alguém que passou a vida em um apartamento. Por isso muitas vezes, de mim para mim, achei que era incapaz de amar, por mais passional que eu sempre tenha sido. Mas amor não é paixão, que explode e desvanece no alucinante limiar da plenitude e do vazio. Tampouco é o que aparece nas novelas ou o que vejo muitos casais vivendo, pensando ser isso o amor — a não-solidão, ou pelo menos uma “solidão assistida”. Aaaaah! E ainda tive de nascer em um tempo em que tudo parece descartável, perecível, utilitário. Como saber o que é amar quando nem se tem a certeza de que as pessoas ainda são capazes de senti-lo? Sim, porque o amor não é algo universal, necessário, imprescindível... o é somente para aqueles que o sentem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi que nem sempre a questão é saber amar, e sim esquecer o que é amar. Acho que foi isso que aconteceu comigo: esqueci que o amor é maior e melhor do que as alternativas que esse mundo nos dá. Ou mesmo que as pessoas nos dão. E agora, olhando para trás, Deus, como amei e fui amada! Porque eu vos digo, o amor está nas coisas simples: está em deitar a cabeça no colo da avó e sentir aquela mão enrugada e ancestral acariciando o seu cabelo. É sentar com sua mãe no chão e aprender a fazer o formato da mão no papel ou perder-se em pensamentos enquanto ela lhe corta as unhas. É pedir para o pai colocá-la nos ombros e se sentir como no topo da montanha mais alta, maior que o mundo inteiro. É sentir o amor nos olhos e nas mãos de um homem, e sentir em você mesma como borboletas a voltear pelo estômago. É estar sozinha, completamente sozinha, e poder ouvir as canções do vento ou apenas o pensamento. É não perguntar o quê, por quê, como, se, posso, devo, cabe. O amor nos percorre, nos habita, nos invade, nos esvai, nos torna esponja, nos torna um, nos faz um mundo. Por nada, por tudo, nós amamos e somos amados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando o amor acaba e se ausenta e nos deixa vazios... quando o amor se torna dor, o corpo inteiro grita e se rebela como um animal enjaulado e enfurecido — somente aqueles que já sentiram esse tipo de dor terão a dimensão desta metáfora. A dor se torna tão maior, tão sem fim a ponto de desejar a morte, de querer desesperadamente não sentir, não sentir! Porque é quando dói, mais do que quando se ama, que temos a certeza de que estamos vivos. E que, por um momento, estivemos perto de estar mortos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que depois de um tempo, você descobre que ainda está vivo. O corpo está alquebrado, o coração, em pedaços, mas ainda vivo. A travessia da dor foi feita e ela não foi capaz de te levar. Não há tristeza, não há alegria na vitória: apenas um grande cansaço. E é nessa terra arrasada e deserta que é preciso recomeçar, reaprender a sentir desde as lições mais básicas. Sentir o ar enchendo o corpo, o calor, o frio, o cheiro, o toque, o som, o silêncio, as batidas do coração, as entranhas se movendo, o chão embaixo dos seus pés e, por último, as pessoas ao seu redor. Mas a dor não passa imediatamente. De vez em quando ela volta, de assalto, mas cada dia menos, e menos até que passa um dia inteiro e você se esquece de sofrer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isso tudo é justo, se isso é um castigo ou a prova de que Deus é um sádico manipulador? Acho que esse não é o critério. Ninguém deseja, espontaneamente, sofrer. Mas o homem é um bicho complicado, que só dá o verdadeiro valor às coisas quando não as têm. Mas quem sabe, uma hora dessas, ele acabe aprendendo a cultivar o amor e as pessoas que ama enquanto elas estão ali e nos momentos singelos em que ele se manifesta? Pobre homem, acho que estou sendo demasiado dura com ele. Não é raiva, não, é apenas pena diante dessa fragilidade travestida de indiferença e auto-suficiência. Mas isso passa, tudo passa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-116882972007055367?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/116882972007055367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=116882972007055367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116882972007055367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116882972007055367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2007/01/eu-no-sabia-o-que-era-amar.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-116463885737604411</id><published>2006-11-27T11:43:00.000-03:00</published><updated>2006-11-27T11:47:38.090-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt; Os Espinhos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci muita gente ridícula na minha vida. Pessoas inconvenientes, espaçosas, faladeiras, sem tato, sem noção e sem simancol. É fácil encontra-las no trabalho, na rua, na família — talvez a fonte principal e mais numerosa. Também li muito sobre elas. Suas personalidades comezinhas, seus modos ora subservientes ora cheios de uma empáfia imaginária e degradante são um prato cheio para os escritores, que criaram tipos “clássicos” de ridículos. E o mais engraçado disso é que a maioria acredita que você é a melhor amiga delas, quando na verdade adoraria poder estar em outro lugar e de preferência com pessoas não tão visivelmente chatas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que jamais se tem coragem de confessar é que você foi, é ou tem grandes chances de ser ridículo no futuro. Ou pior: não saber se um dia você foi, é ou será considerado ridículo — afinal ser ridículo é uma definição imposta por outros, e depois da primeira dificilmente as pessoas se esquecem. Aí você vira assunto de rodinha, com direito a cochichos, olhares e risinhos. Eu sei, você sabe: fazemos isso diariamente, quase na mesma freqüência com que respiramos. Não estou querendo dar uma de moralizadora. Falar mal das pessoas é uma forma de extravasar raivas e frustrações diante de pessoas que nos motivam a se sentir assim. Um ato natural, até saudável — e melhor do que dar um tiro no tal desafeto. E se elas dão motivo pra falar é inevitável, quase obrigatório. Mas nem perguntem o que acontece quando você — isso mesmo, VOCÊ — é o ridículo da trama. Melhor não perguntar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu medo é me tornar exatamente aquilo que temo. O que todos nós, pelo menos uma vez na vida, tememos: o medo de nos tornarmos ridículos, dignos de pena ou merecedores de olhos revirados diante de uma aproximação. Há quem saiba ter sido ridículo num determinado momento e não guardar grandes traumas, podendo até rir da situação e de si mesmo. Mas há aqueles que vivem com a guarda levantada, temendo que as pessoas descubram que é capaz de ter atitudes incômodas. Aquela pessoa que te trata bem pode no fundo não te suportar, e até mesmo falar mal de você pelas costas. Como saber? Até que ponto você pode se aproximar de uma pessoa sem invadir a “zona de conforto”? Não sei, nunca me explicaram muita coisa sobre a vida e o pouco que aprendi foi na base da tentativa-erro. E nessa brincadeira levei muita pancada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso seja mais fácil simplesmente não se envolver. Ou, pelo menos, manter uma distância regulamentar. Quando se passa despercebido não há nada de ruim ou de bom que se possa pensar ou falar. Conheço pessoas que vivem assim — ensimesmadas, fechadas em seu próprio mundo e restringindo o contato com o restante da humanidade ao mínimo necessário. Algumas até acham que vivem muito bem assim — e quem somos nós para duvidar? Mas aí eu me lembro que a idéia de viver numa redoma nunca me atraiu, já que passei uma boa temporada numa. Pior do que sofrer é ficar dormente, atrofiado, morto em existência. Pelo menos a dor te mostra que você ainda está vivo, e de vez em quando se tem a perspectiva de ter alegria, parar de chorar. Já disse isso uma vez: não me orgulho dessa minha coragem, acho até que coragem não é a palavra mais adequada. Talvez seja só a vida e a necessidade de ter alguém por perto falando mais alto — e a despeito de tudo, a vontade da vida sempre consegue se manifestar de alguma forma. Uma vez um professor de psicologia disse que se aproximar do outro é tão difícil quanto um beijo entre dois porcos-espinhos: por mais que eles se amem, fatalmente os espinhos que usam para se proteger acabam machucando o outro durante o contato. Espero um dia poder fazer com que meus espinhos não machuquem tanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-116463885737604411?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/116463885737604411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=116463885737604411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116463885737604411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116463885737604411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2006/11/os-espinhos-conheci-muita-gente.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-116425023735002434</id><published>2006-11-22T23:41:00.000-03:00</published><updated>2006-11-22T23:50:37.360-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cuidado, frágil!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1599/3520/1600/251656/Touch.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1599/3520/320/596230/Touch.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar que você está triste não é fácil. É preciso ter cuidado para não parecer piegas nem que você está numa de ficar com pena de si mesma — e no fundo querendo que os outros te achem uma coitadinha. Até porque, para todos os efeitos, eu estou muito bem: acordo geralmente no mesmo horário, pago conta, cuido da casa, converso, rio, trabalho, estudo, faço as seis refeições e até estou conseguindo dormir minhas oito horas diárias. E tudo isso sem recorrer a calmantes, arrebites, laxantes ou qualquer coisa que mexa com a química do corpo. Mas a verdade é que eu sinto como se alguém tivesse me jogado um mau olhado e sugado toda minha energia, uma casca a ponto de arrebentar se pressionarem com um pouco mais de força. Não sei se é essa coisa de aniversário, fim de ano, muitas mudanças de ciclo ao mesmo tempo e o cansaço acumulado desse ano em que aconteceu de um tudo. Mas mesmo tentando manter ao máximo minha rotina, tem horas que não dá. Já fiquei uma manhã inteira perambulando pela casa vazia, com coisas para fazer e simplesmente não tinha ânimo para começar. Sair muitas vezes é um grande sacrifício, principalmente nos horários de sol a pino. Talvez eu seja a única que se sente assim, mas alguém já notou que a claridade excessiva consegue deprimir tanto quanto o cinzento de um dia nublado? O céu fica de um azul doído, a luz quase te cega, o calor te oprime e queima a pele... acho que é por essas que nem mais cogito em ir à praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do que eu sinto falta? Não sei exatamente. Eu sempre tive a impressão de que as pessoas são bem-resolvidas, não sentem tristeza nem medo e só eu que padecia dos males ordinários do mundo. Cólica menstrual? Nem pensar! Mas uma vez eu vi um episódio do Sex and the City em que a Samantha — a mais descolada, independente e bem-resolvida das quatro — pegava uma gripe daquelas e, apesar da agenda recheada de homens bonitos e interessantes, não tinha um pra ajudá-la e recolocar a cortina que havia caído. E justamente a cortina da janela do quarto, que ficava a luz dando bem em cima dela. Por sorte, a Carrie acabou indo socorrê-la e tudo ficou bem.  Mesmo estando longe de ser uma pessoa gregária, acho que eu já teria enlouquecido se não pudesse contar com as pessoas queridas que me cercam, que falam como estou bonita, que reparam e elogiam a minha bolsa nova, que me dão conselhos bárbaros, que partilham comidinhas e momentos de “eu mereço!”, que conversam besteiras horas a fio, que dizem que eu estou deliciosamente intratável e que mereço uma surra, que riem das minhas paródias de bandas de forró, etc, etc. Mas acho que não seria de todo mal se as pessoas tivessem um pouco mais de ternura, principalmente aquelas que, teórica e geneticamente, deveriam ser mais próximas de você. Ninguém tem obrigação de ser terno, eu sei, mas não dói, não compromete muito tempo e você até se sente bem depois. Enfim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-116425023735002434?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/116425023735002434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=116425023735002434' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116425023735002434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116425023735002434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2006/11/cuidado-frgil-falar-que-voc-est-triste.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-116234771014360407</id><published>2006-10-31T23:15:00.000-03:00</published><updated>2006-10-31T23:21:50.170-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre anáguas e valsas vienenses&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém pode me dizer qual o sentido de existir festas de quinze anos? Tudo bem que a maioria dos rituais não tem lá grande razão de ser, mas pra mim festa de quinze anos é a prova viva de que o brega — assim como o clássico — nunca morre. Não sou convidada para esses débuts há anos, mas nem na minha época eu achava que usar vestido com vinte anáguas e valsar com todos os homens da família tinham algum sentido. Talvez até fizesse — no tempo da valsa e das anáguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, devo confessar: eu tive uma festa de quinze anos. Confesso a Deus Todo-Poderoso e a vós irmãos e irmãs que eu tive uma festa de quinze anos com direito a dois vestidos, celebração na igreja (nessa época eu ainda era uma boa católica), valsa, cinco quilos a menos de estresse e aquele cerimonial ridículo dizendo que o próximo desafio da minha vida seria o vestibular. Pela culpa, pela tão grande culpa da minha mãe que sonhava que eu tivesse aquilo que ela não teve, ainda que não compartilhássemos o mesmo sonho. Certo, pra não dizer que a culpa sempre sobra pra mãe, mesmo não tendo feito questão de uma festa, também não resisti à idéia. Mas a verdade é que eu preferia ter gasto o dinheiro da festa com um intercâmbio, uma viagem à Europa, algo que enriquecesse meu espírito — e não com fotos e vídeo que eu me recuso terminantemente a ver e mostrar pra quem quer que seja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, eu posso dizer que eu fiz uma festa, digamos, sem exageros. Porque eu já vi muita, mas muita marmotagem nessas festas. E eu não estou falando da debutante que cai da pontezinha montada em cima da piscina do bufê — mas também, olha que idéia, fazer a menina andar em cima de uma pontezinha estreita com aquele vestidão, pior que isso só aquela prova do Faustão, da ponte do rio que cai. Já vi festa em que os cantores, ao invés de cantar “Você é linda, mais que demais”, diziam “Fulaninha é linda, mais que demais”. Mas o auge mesmo foi a vez que fui convidada pra uma festa com tema japonês. Até aí tudo bem, uma decoração diferente, umas luminárias de papel charmosas... até que aparece a tal da debutante vestida de gueixa! Aquela peruca preta armada, a cara da menina branca e com aquela boquinha de boneca Emília, quimono vermelho e andando com aquele passinho curtinho de japonesa estereotipada. Claro que eu dei vexame com meu incontrolável ataque de riso, mas que nada que não passasse despercebido diante daquela cena medonha. Nessas horas eu fico me perguntando como é que um pai e uma mãe deixam a filha passar por isso, quando não foram mentores intelectuais desse abuso. É muito anacronismo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a minha sorte é que, depois de todo o auê que foi a minha festa — porque, ao contrário das milhares de aniversariantes que tem que passar a festa inteira só batendo foto, eu fui curtir demais — minha mãe disse que não faria festa de casamento pra mim (só mesmo mãe pra ver a vida do filho como uma sucessão de fatos óbvios). Mas aí quem é que bate o pé: meu pai! “Não, porque você fez a festa de casamento do Emanuel (meu irmão mais velho), vai ter que fazer dos outros. E tem que ser em Sobral” — visualizem as minhas feições crispadas diante da última frase. Mas ao menos hoje conto com minha maioridade e um espírito bem menos suscetível para não deixar que a breguice tome mais esse espaço no mundo. Até porque o melhor casamento do qual tive notícia, eu não fui. Minha prima resolveu oficializar a união depois de três anos morando com o marido. O que eles fizeram? Chamaram os respectivos pais, compraram um bolo, chamaram a juíza, puseram uma toalha branca na mesa e pronto! Feito o casamento. Simples, terno, a cara deles e do amor que eles têm. Pra mim não importa o que essas cerimônias devam significar, desde que elas tenham um significado pra quem realmente interessa. E se dá pra fazer isso com um bolo e uma toalha branca, que bom!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-116234771014360407?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/116234771014360407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=116234771014360407' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116234771014360407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116234771014360407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2006/10/sobre-anguas-e-valsas-vienenses-algum.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-116049145720055906</id><published>2006-10-10T11:42:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:44:17.216-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Dia de Domingo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo, dia de sol. As boas famílias da cidade se preparam para ir ao clube. Cidade pequena, sabe como é. Maiôs, fofoca, cerveja, bronzeador, batata frita, crianças de lábios roxos e barriga cheia de tanto beber água da piscina. O dia, como sempre, nada prometia (ou você espera alguma coisa de um domingo?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do rio, o rapaz também se dirigia ao clube. Mas não iria entrar. Não podia. Subiu o declive de terra que levava até os fundos do clube. Havia um espaço que as plantas não cobriam e um buraco nas grades. Dois dias antes, o rapaz cavou um buraco perto daquela parte do gradil, o suficiente para encaixar parte do corpo. Ficou à espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos fundos do clube, três chuveiros e algumas cadeiras de praia. Era ali que as mulheres iam se bronzear. Algumas se deitavam nas cadeiras, outras já ficavam de bruços nas toalhas. Passavam óleo de amêndoas umas nas outras. Lindo. Havia umas feias, pelancudas, é verdade. Mas ele só tinha olhos para as mocinhas. Magrinhas, peles brilhantes, sorriam macio enquanto conversavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali o rapaz podia sentir o cheiro delas. Ou pensava que podia, sei lá. Só sabia que era diferente. Diferente do cheiro da casa, da mãe, das irmãs. Diferente até do cheiro da Chica Fulepão, aquele perfume enjoativo que se misturava ao esgoto da rua.&lt;br /&gt;Então algo no meio dele começou a despertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma menina de nove anos percebeu que algo estranho se mexia no meio do mato, sem parar. Como ninguém prestasse atenção, foi se aproximando para ver o que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;─ Puta que pariu! ─ pensou ele. Mas não conseguiu parar. Fechava os olhos e aquele cheiro invadia-lhe as narinas. Tão lindas, tão...hum...macias...ai, só um pouco, só mais um...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina começou a ouvir gemidos. Baixinhos. Então ela se agachou e colocou a cabeça para ver. E dois olhares assustados se encontraram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;─ Clarinha, o que você tá fazendo aí? ─ disse à mãe ao ver a menina ajoelhada, limpando algo do rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que a mãe se levantasse, a menina saiu correndo. O vento batia e deixava seu rosto mais preguento ainda. Parou no banheiro feminino e se trancou no box. Não chorava, não estava com medo. Apenas lembrava sem parar daqueles olhos. Derramando lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim afastou aqueles pensamentos e ligou o chuveiro. Amadurecia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-116049145720055906?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/116049145720055906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=116049145720055906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116049145720055906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/116049145720055906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2006/10/dia-de-domingo-domingo-dia-de-sol.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-115992702058741261</id><published>2006-10-03T22:55:00.000-03:00</published><updated>2006-10-03T22:57:00.596-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Qu7T91KivbM"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Qu7T91KivbM" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-115992702058741261?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/115992702058741261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=115992702058741261' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/115992702058741261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/115992702058741261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2006/10/blog-post.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-115992681613603160</id><published>2006-10-03T22:52:00.000-03:00</published><updated>2006-10-03T22:53:36.143-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-115992681613603160?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/115992681613603160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=115992681613603160' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/115992681613603160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/115992681613603160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2006/10/param-namemovie-value.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-115937945300497223</id><published>2006-09-27T14:49:00.000-03:00</published><updated>2006-10-03T11:03:26.443-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Por que (diabos) eu escrevo...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A minha relação com a escrita é árdua e contraditória. Escrever para mim sempre foi uma necessidade, uma coisa que sei que faço bem e na qual coloco o que há de melhor em mim. Mas ao mesmo tempo não consigo escrever tanto nem da forma como eu gostaria, ou porque não me acho boa o suficiente ou porque o ato de escrever exige muito de você, e eu não sei se eu tenho tanto assim a dar. Várias vezes eu tinha pensado em desistir de escrever até que assisti a uma entrevista com a Rachel de Queiroz — e ela é a escritora que mais admiro porque ela escreve de forma simples, traçando as coisas da vida com a mesma fluidez que a vida age sobre nós — dizendo que tinha uma preguiça absurda de escrever, a tal ponto que se alguém fosse vasculhar as gavetas de sua escrivaninha não encontraria sequer o rascunho de algo novo ou projetos paralelos. Não que isso tenha me consolado de todo, mas se Rachel foi o que foi sendo uma preguiçosa, quem sabe eu não tenho esperança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que escrevo desde antes de saber como escrever. Quando eu era bem menininha eu vivia divagando comigo mesma a história da Pasta Poderosa (meu Deus, eu não acredito que eu tô falando nisso, mas lá vai...). Era a história de uma princesa que precisava salvar o seu reino e o príncipe que ela amava usando a Pasta Poderosa, a única arma capaz de acabar com o mal do mundo. Acontece que, naquela época, começaram a aparecer as primeiras pastas de dente coloridas e a Signal vinha com aquelas linhazinhas vermelhas, bem docinhas e sabe Deus por quê eu achava aquilo o máximo (ah, eu tinha três anos e morava em Sobral, vocês queriam que eu divagasse sobre o existencialismo em Sartre?). Foi daí que surgiu a história da Pasta. Mas o importante disso tudo é que eu pegava várias folhas de papel e ficava tentando desenhar as letras, pensando nas situações que a minha princesa precisaria enfrentar para salvar o dia. Pobre da minha princesa, nunca dei um final para a sua jornada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que eu fiz a alfabetização, as coisas foram piorando. Minha mãe trabalhava no INSS (que no meu tempo ainda era INPS) e lá tinha um monte de máquina de escrever (porque no meu tempo ainda não tinha computador). Aí eu ficava a manhã toda lá, escrevendo umas notícias como se fosse de jornal. Acho que eu ouvia na televisão ou no programa do Isaías Nicolau (precursor sobralense do Ratinho no rádio que a Jesus, minha babá, adorava ouvir) e escrevia tudo na máquina. Minha mãe até hoje guarda uma “notícia” que eu fiz para a Folha de São Paulo sobre um assassinato a faca, ainda por cima com tinta vermelha! Naquela época eu achava lindo uma pessoa que sabia escrever à máquina, os dedos dançando no teclado, o barulho que ela fazia quando se empurrava aquele rolo pra bater a frase seguinte. E foi aí que eu comecei a pensar em ser jornalista, porque achava que todo dia eu ia poder escrever minhas histórias na máquina de escrever, não só as que eu ouvia como também as que brotassem da minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje? Bom, minha mãe fez uma ótima economia quando se recusou a pagar um curso de datilografia pra mim e meu pai perdeu a grande esperança de ter uma médica na família. Eu comprei meu computador (em três prestações que pareciam não ter fim!) e a partir de hoje decidi que não vou usá-lo apenas para escrever o que eu ouço dos outros, mas também aquilo que se passa em mim (não vou dizer no meu coração ou na minha alma ou mesmo minha mente depois de ter lido Merleau-Ponty). Eu poderia contar muito mais sobre a minha história com a escrita, mas além de preguiçosa eu escrevo devagar e apenas com dois dedos (viu como o curso de datilografia poderia ter sido útil?). Então eu vou indo que tem um monte de texto e trabalho à minha espera. Adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-115937945300497223?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/115937945300497223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=115937945300497223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/115937945300497223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/115937945300497223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2006/09/por-que-diabos-eu-escrevo.html' title=''/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32242472.post-115581910226508705</id><published>2006-08-17T09:50:00.000-03:00</published><updated>2006-08-17T09:51:42.276-03:00</updated><title type='text'>Prova dos Nove</title><content type='html'>Hoje é o meu segundo dia em São Paulo. Sempre quis conhecer essa cidade, não só pela grandeza, pelos museus, pela vida noturna ou mesmo pela promissora 25 de Março (será que eu encontro um mp3 player por menos de R$ 100?). Queria conhecer para ter a minha opinião sobre ela. Sim, porque São Paulo é um lugar que se ama ou se odeia, não dá pra ficar em cima do muro. Antes de vir, ouvi desde elogios rasgados sobre como a cidade é limpa, organizada e tem polícia em quase toda esquina até os mais velhos clichês sobre a selva de pedra cruel e desumana na qual eu seria assaltada, estuprada e morta. E como as coisas ruins quase sempre ecoam mais forte em nossos corações, os dias que antecederam a viagem foram muito difíceis. Fiquei me perguntando o que faria lá (quer dizer, aqui). Claro, vim com um objetivo justo e bem definido, que era pesquisar filmes para a minha dissertação e, de quebra, ter umas merecidas férias, saindo do esquema praia do Ceará. Mas depois fiquei com medo. E se não desse certo? E se eu não encontrasse o que eu estava procurando (e não estou falando somente da minha pesquisa)? E se eu acabasse passando quinze dias trancada em casa, com medo de sair na rua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu sei é que meus medos se desfizeram na hora que entrei no avião, na madrugada de terça-feira. Senti que eu precisava fazer essa viagem. Precisava de outra temperatura, outras roupas, outras comidas, outros cheiros, outras pessoas, outro eu. Precisava, sobretudo, de uma alternativa, nem que fosse por quinze dias. Gosto da minha vida em Fortaleza, da minha família, dos meus amigos, das minhas atividades. Mas tem horas que a gente se cansa de tudo: o pensamento tacanho, o machismo, as limitações, as pessoas que acham que sabem o que é melhor pra você, o calor, o forró desmantelado, tudo. Aí é hora de conhecer outras coisas, lidar com outros códigos, não importa se você vai se adaptar a eles ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia antes de viajar, meu irmão comentou que jamais teria coragem de ir a São Paulo sozinho por tanto tempo. E olha que ele é um homem de quase 30 anos! Então eu olhei pra ele e respondi: “É porque eu sou ousada!”. Parece uma resposta boba, vinda de uma caçula que quer provocar a família. Nunca na minha vida me senti ousada, apesar de morar sozinha desde os catorze anos e de outras coisas que nenhuma das minhas amigas fez ou viveu. Mas a verdade é que eu estava dizendo aquilo para mim mesma, que eu era corajosa e forte o suficiente para enfrentar o desconhecido. Que eu era diferente do restante da minha família, mais apegada ao lugar onde nasceram e a uma vida calma e previsível. Que não deixaria as pequenas coisas me afastarem do caminho que tracei para mim mesma. Que mesmo que tivesse que sofrer eu não desistiria, a despeito de todas as previsões ruins que costumam fazer sobre mim. Tem horas que a gente precisa ser mais forte do que nós mesmas. Encontrar forças que não conhecia ou mesmo que não tinha para lidar com essa vida-rapadura (que é doce, mas também é bem dura). Estou tentando. São Paulo é meu estágio probatório.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32242472-115581910226508705?l=ocinemascope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocinemascope.blogspot.com/feeds/115581910226508705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32242472&amp;postID=115581910226508705' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/115581910226508705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32242472/posts/default/115581910226508705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocinemascope.blogspot.com/2006/08/prova-dos-nove.html' title='Prova dos Nove'/><author><name>karoline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13536804900424820697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
